O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (31) que o governo norte-americano não facilitou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. Ao mesmo tempo, disse que o presidente Donald Trump decidiu permitir a entrada do parlamentar nos Estados Unidos.
Versão de Rubio sobre a entrada
Em entrevista coletiva em Atlanta, onde participou da reunião de chanceleres do G20, Rubio disse que soube da chegada de Flávio ao país e que ele já tinha visto garantido. Segundo o secretário, Washington não participou de nenhum dos arranjos para que o senador deixasse o Brasil.
"Não facilitamos nada."
Rubio afirmou ainda que o governo dos EUA não esteve envolvido diretamente em qualquer movimento feito por Flávio. De acordo com ele, Trump havia deixado claro que, caso o senador chegasse a um ponto oficial de entrada no território americano, receberia um parole, autorização temporária para entrar no país.
Contexto da saída do senador
Flávio chegou aos Estados Unidos nesta semana, após deixar o Brasil depois de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Na sexta-feira (30), ele falou pela primeira vez desde que estava nos EUA e disse que poderia voltar a disputar a Presidência antes de 2030.
O senador deixou o país depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega de seus passaportes e a proibição de sair do Brasil, no âmbito de uma investigação. Flávio nega irregularidades e afirmou que deixou o país por considerar-se vítima de perseguição.
As declarações ocorrem em meio a tensões recentes entre Brasil e Estados Unidos após a eleição e a ida do senador ao território norte-americano. Rubio e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversaram brevemente em Atlanta e combinaram novo encontro nas próximas semanas, antes da cúpula de líderes do G20, prevista para dezembro, em Miami. Uma autoridade brasileira disse à Reuters que o governo não pretende politizar o episódio.
Irã e negociações no Golfo
Rubio também afirmou que Trump ainda não decidiu sobre a retomada de ações militares contra o Irã. Segundo ele, o presidente prefere uma solução diplomática, mas os EUA estão preparados para agir militarmente se Trump considerar necessário.
Negociadores iranianos se reuniram neste sábado com mediadores do Catar em Doha para discutir caminhos para encerrar a guerra no Golfo e evitar nova escalada militar. Na sexta-feira, representantes do Irã e do Catar já haviam negociado por mais de 12 horas em Teerã. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, esses contatos são coordenados regularmente com Washington.
Rubio disse não saber se há prazo específico para as negociações. "Há várias conversas. Na verdade, as conversas nunca pararam", afirmou. Trump suspendeu novos ataques ao Irã nas últimas semanas, período em que os republicanos se preparam para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.